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 Soneto Inglês ou Shakespeariano

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Alexandre Tambelli



Mensagens : 11
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MensagemAssunto: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Ter 23 Nov 2010, 05:24

Amigos!

Vou colocar aqui as regras necessárias para se realizar o SONETO INGLÊS, também chamado de SHAKESPEARIANO (formato definitivo a partir do escritor William Shakespeare com a publicação da obra: THE SONNETS*1 - 154 Sonetos - em 1609). No final coloco minha tentativa de realização do Soneto Inglês ou Shakespeariano como aprendizado do meu estudo e conclusões da empreitada.

Antes de enumerar as regras, colocarei algumas considerações sobre a sua origem e a discussão em torno de considerar ou não considerar o Soneto Inglês como sendo, realmente, um Soneto.

Vejamos o poeta J. G. de Araujo Jorge*2 falando sobre o soneto inglês:

“O criador desta forma inglesa do soneto foi Spenser, ou Henry Howard, poetas que viveram um pouco antes de Shakespeare, também no Século XVI. Praticamente o chamado soneto inglês é, na realidade, uma “outra forma poética”, mas tem sido aceito através dos tempos pelos críticos e leitores como “soneto””. (Pág. 127)

E agora o comentário de Vasco de Castro Lima*3:

“Shakespeare (1564 -1616), na Inglaterra, , adotou a invenção de Thomas Wyatt (1503 - 1542), ou Henry Howard, Conde de Surrey (1517 - 1547), um dos dois: três quadras de rimas independentes e um dístico final, rimado. É o chamado “soneto inglês”, ou “shakespeariano”. Mas, será admissível, será justo, será lícito, neste caso, falar-se em soneto? A respeito, há o seguinte comentário do poeta português José Fernandes Costa (1848 - 1920): “O soneto shakespeariano não seria chamado soneto em qualquer outra língua, daquelas onde a forma petrarquiana prevaleceu. Em Shakespeare, ficou sendo uma composição de leitura agradável, sob o ponto de vista rítmico, mas não é soneto”.(Pág. 176 e 177)

No célebre TRATADO DE VERSIFICAÇÃO*4, dos poetas parnasianos: Olavo Bilac e Guimarães Passos, escrito no ano de 1905 o SONETO Inglês não está sequer mencionado como Gênero Lírico de Poesia.

Percebe-se uma lacuna de qual teria sido o primeiro poeta a realizar o Soneto Inglês e uma tendência, da crítica, de considera-lo uma composição outra, diferente do Soneto imortalizado por Petrarca e sua famosa estruturação das estrofes: 4 - 4 - 3 - 3. Se hoje, encontramos a definição de SONETO INGLÊS deve-se muito mais pelo autor deste tipo de Poema do quê por realmente ser um SONETO. Fiquemos com a definição: SONETO INGLÊS; evitaremos controvérsias.

Lembremos, também, o Soneto Inglês é raro em Língua Portuguesa. Poetas árcades, românticos (um comentário - pouco utilizaram as formas fixas de Poesia, como: o soneto), parnasianos, simbolistas, modernos, etc. passaram ao largo do Soneto Inglês. Quando de sua utilização em Português, vale-se, quase sempre, como título para o poema a expressão: “Soneto Inglês”. É importante salientar que ele teve sua presença na Língua Inglesa pela dificuldade de rimas no idioma (o que constataremos durante a exposição das regras de sua construção - vendo que existem 7 PARES de rimas no SONETO INGLÊS, enquanto no SONETO ITALIANO, quatro ou cinco GRUPOS de rimas), e que mesmo com a dificuldade da rima no idioma Inglês, foi pouco realizado, entre os poetas da Inglaterra que preferiram o Clássico Soneto Petrarquiano para expressão poética, segundo nos informa J. G. de Araujo Jorge.

REGRAS BÁSICAS PARA REALIZAÇÃO DO SONETO INGLÊS

1ª REGRA (ESTRUTURA BÁSICA DA COMPOSIÇÃO)

O Soneto Inglês ou Shakespeariano deve obedecer, para os versos a seguinte estrutura:

Ter um conjunto de 14 versos, dispostos numa única estrofe (monostrófico)*5, com um dístico final, separado por dois espaços para diferencia-lo do restante da construção do SONETO INGLÊS. Podemos chamar os 12 primeiros versos de espaço para DESENVOLVIMENTO DA IDÉIA do poema; já o dístico final (conjunto de 2 (dois) versos – denominado pelos ingleses de “couplet”) como a CONCLUSÃO da idéia do poema.

2ª REGRA (METRO E RITMO)

Todos os versos possuem METRO DECASSÍLABO (verso com 10 sílabas poéticas) utilizando o PENTÂMETRO JÂMBICO, que é composto por cinco pés, sendo cada pé um jambo - transferindo para uma linguagem mais simples podemos dizer assim: utiliza-se uma sílaba poética átona seguida de uma sílaba poética tônica (acentuada), por 5 (cinco) vezes seguidas em cada verso até formar, por completo, o verso Decassílabo Shakespeariano: o PENTÂMETRO JÂMBICO*6, que visualizando dá este esquema RÍTMICO:

U – U – U – U – U – (U sílaba fraca; – sílaba forte)*7.

Esta estrutura de verso é possível de se realizar, com maior facilidade, no idioma Inglês porque este possui boa quantidade de vocábulos monossílabos e dissílabos; o que no nosso idioma acontece em menor quantidade. Esta menor quantidade de vocábulos monossílabos e dissílabos traz maior dificuldade ao poeta, que escreve em Português, na criação do Pentâmetro Jâmbico.

OBSERVAÇÃO: Shakespeare não tinha a preocupação de manter este esquema ritmico em todos os versos. Ele, às vezes, transgride a regra do Pentâmetro Jâmbico, em algum verso do Soneto Inglês.

Esta afirmação fica clara na dificuldade da tradução, para o Português, dos Sonetos de Shakespeare, onde, os tradutores precisam aclimatar, a maior possibilidade de idéias, por conta do maior número de vocábulos monossílabos e dissílabos presentes no verso decassílabo em Inglês, em um verso, com vocábulos equivalentes no Português: trissílabos e quadrissílabos.*8

3ª REGRA (RIMA)

Existe um conjunto de 7 (sete) pares de rimas CONSOANTES (aquelas formadas a partir da vogal tônica da última palavra do verso - Ex. quERO e zERO/ nÃO e sertÃO) no poema perfazendo os 14 versos do poema. Os 6 (seis) primeiros pares de rimas são rimas cruzadas (ABABCDCDEFEF), e por último 1 (um) par de rimas emparelhadas (GG), representando o dístico final ou “couplet”.*9

Não existe uma preocupação em se preferir as rimas, com vocábulos paroxítonos que formam as rimas graves, como são obrigatórias no Soneto Italiano ou Petrarquiano. A própria organização do verso, utilizando o Pentâmetro Jâmbico pede vocábulos com menos sílabas e acaba por aceitar os monossílabos, que só formam as rimas agudas.

Ilustração: encontrei este par de rimas no Soneto III de Shakespeare: husbandry/ posterity – ela mostra a exceção de um vocábulo tetrassílabo (até trissílabas são quase todas as palavras dos seus Sonetos Ingleses) na construção do verso, porém, só possível, sua presença, no final do verso, para obedecer ao Decassílabo formado por Pentâmetro Jâmbico. Existe uma rima forçada neste caso: dry/ ty, pois na verdade a tônica, quando lemos recai sobre as sílabas: ban/ te; o que comprova a maior dificuldade de rimas no Idioma Inglês.

4ª REGRA (TEMÁTICA ou ASSUNTO)

O Soneto Inglês realizado por Shakespeare tem uma temática mais ampla do que existiu nos Sonetos realizados por Petrarca, este, apenas, cantou a Musa com sua temática amorosa. Shakespeare incorporou na sua poética, além da temática amorosa (predominante), outros assuntos como: os males humanos, a política, falou abertamente de sexo sem restrições, etc. Lembremos: o poeta Inglês nasceu 3 Séculos na frente de Petrarca.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE (retirei de outro texto que escrevi sobre o Soneto Italiano - http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/2053233 -, mas é válida para o Soneto Inglês, também): no Soneto, além do conteúdo, alguns elementos a mais são necessários: o ritmo e a cadência, a clareza das idéias, a escolha vocabular precisa, a comunicabilidade poeta/leitor - ele na sua Clássica forma, tem um vocabulário do cotidiano, busca construir um todo harmônico através de belas imagens e surpreender com um desfecho especial.

Shakespeare, também, não fugiu destas preocupações.

5ª REGRA (TÍTULO DO SONETO)

O Soneto Inglês ou Shakespeariano, valendo-se da observação dos poemas de seu autor principal, aparece sem título. Apenas, numerado na sequência I, II, III, etc. em algarismos romanos. Portanto, não existe necessidade de título.

ESQUEMA BÁSICO DE CONSTRUÇÃO DO SONETO INGLÊS OU SHAKESPEARIANO:


A mão` 12 PRIMEIROS VERSOS ( DESENVOLVIMENTO DO POEMA)
B bola `
A são `
B cola `
C asseio `
D cidade ` 6 PARES DE RIMAS (CRUZADAS)
C passeio ´
D invade ´ Utiliza-se o metro Decassílabo com 5 pés
E estudo ´ formando o Pentâmetro Jâmbico:
F mar ´ U – U – U – U – U – (U sílaba fraca; – sílaba forte)
E mudo ´ alternadamente
F cantar´__________________________________________________
G sete DÍSTICO - “Couplet” para os Ingleses (CONCLUSÃO)
G confete 1 PAR DE RIMAS NO DÍSTICO FINAL ( EMPARELHADAS)

TENTATIVA DE REALIZAÇÃO DO SONETO INGLÊS OU SHAKESPEARIANO

SONETO INGLÊS I
À Carla Tambelli

No sonho escuto a voz: - amor, saudade...
Num sopro venta ao pé do meu ouvido
Lembrança antiga n´alma, n´outra idade
Palpável - gozo pleno nunca olvido.
Voz meiga, amada, amiga, em mim, cativa
Chamando: - venha aqui, meu bem-amado...
Voz límpida, alva, leve, livre e altiva
Clamando: - venha aqui, amar-me, amado...
Voz fina, frágil, franca, fiel e fluída
Dizendo: - venha aqui, amor, comigo...
No sonho escuto a voz: - eu sou a vida...
Penetro a voz e, então, no amor me abrigo.
O dia vem, me acorda, estou risonho
Mas penso: - amor... por que acordei do sonho?
(Alexandre Tambelli, para Carla Tambelli, São Paulo, 31 de Janeiro de 2010 - 10: 58h.)

Vou escandir um verso (dividi-lo em silabas poéticas) para ilustração do PENTÂMETRO JÂMBICO:

No/ SO/ nho es/ CU/ to a/ VOZ/ : - eu/ SOU/ a/ VI/ da...
1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º
U - U - U - U - U -

CONCLUSÃO

O estudo desta composição denominada SONETO INGLÊS ou SHAKESPEARIANO é um aprendizado e tanto para mim. Acredito que o maior conhecimento dos gêneros poéticos existentes e seus detalhamentos de construção são valiosos para o nosso crescimento literário.

No caso da construção do Soneto Inglês, seguindo Shakespeare, constato que a sua confecção é mais valiosa no idioma original de sua criação, o Inglês; como disse: pela maior facilidade em utilizar vocábulos monossílabos e dissílabos. Este diferencial facilita a utilização do Verso com 5 pés - o Pentâmetro Jâmbico (como sabemos, com uma sílaba fraca e com uma sílaba forte na sequência) até formar o verso Decassílabo.

Todavia, sempre é bom arriscar o diferente e eu busquei acertar o máximo possível nesta empreitada de construção do Soneto Inglês, obedecendo a estrutura clássica de Shakespeare. Uma coisa que fica claro é que uma sílaba fraca e outra sílaba forte em todo o poema é uma tarefa difícil. Em alguns momentos, como no início do verso, ao colocar o monossílabo VOZ como primeiro vocábulo apareceram duas sílabas fortes seguidas, porque tanto a 1ª sílaba e a 2ª sílaba (esta por obrigação do Pentâmetro Jâmbico) são fortes.

Constato que houve uma necessidade maior de utilização de figuras de linguagem sonoras como a aliteração e a assonância para compor alguns versos. E predominou uma certa reiteração de idéias, principalmente nos versos centrais do poema.

E enfim, observo a maior dificuldade em colocar uma conclusão no Soneto Inglês do que no Soneto Italiano. Temos para conclusão no Soneto Shakespeariano o dístico final (apenas 2 versos), enquanto o Soneto Italiano prepara o desfecho do poema durante os dois tercetos finais (em 6 versos). Temos uma longa explanação da idéia no Soneto Inglês ou Shakespeariano e um momento final de mudança, diverso do que foi ideado até antes do dístico, a conclusão.

Neste Soneto Inglês que me propus, o eu-lírico, no momento exato em que aceita, no sonho, o seu desejado Amor, após, o constante chamamento da amada é surpreendido pelo dia que lhe acorda sorridente, resultado do sonho prazeroso, mas, um instante após, a razão também acorda e o eu-lírico constata que a realidade não mantém o que o sonho proporcionou: estar ao lado da bem-amada.

COMENTÁRIO

Façamos o Soneto Inglês ou Shakespeariano, se constatarmos ser melhor para a qualidade do nosso poema, incorporando outros ritmos, ex: heróico, sáfico, etc.*10, conservando o metro decassílabo, o esquema de rimas, o dístico final e a estrutura monostrófica do poema. É justa alguma transgressão às regras quando do conhecimento delas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E NOTAS

*1 Encontra-se neste link: http://www.shakespeares-sonnets.com/sonn01.htm os Sonetos Ingleses de Shakespeare, no idioma original.

*2 ARAUJO JORGE, J. G. Os mais belos sonetos que o amor inspirou, volume 3; Rio de Janeiro, Casa Editora Vecchi LTDA., 1966.

*3 LIMA, Vasco de Castro. O mundo maravilhoso do soneto; Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos S. A., 1987.

*4 BILAC, Olavo; PASSOS, Guimarães. Tratado de Versificação; Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1944 - 8ª Edição. (edição em que me baseei para esta constatação); Este livro apresenta, na sua 3ª parte, os Gêneros Poéticos: épico (epopéia), líricos (soneto, ode, vilancete, madrigal, etc.), dramáticos (tragédia, comédia, etc.), satíricos (paródia, sátira, etc.), didáticos (máxima, apólogo, fábula) possíveis para a construção de poemas - todos com formas fixas de construção.

*5 Cuidado! Temos informações na Internet diferenciando o Soneto, com única estrofe (monostrófico) do Soneto Inglês. O que penso ser um erro, afinal Shakespeare construiu a estrutura dos seus Sonetos em uma única estrofe. Então, o Soneto Inglês também é um Soneto Monostrófico.

*6 Utilizei como parâmetro para definir o tipo de verso do SONETO INGLÊS CLÁSSICO, a estatística. Dos 154 Sonetos apenas três não seguem o modelo do Pentâmetro Jâmbico. Esta informação do tipo de verso utilizado por Shakespeare retirei e é estudada com precisão neste interessante link da internet: http://www.filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_499.pdf - estudo de Gisele Dionísio da Silva da Universidade Federal de Goiás - “Críticas as traduções brasileiras dos sonetos de Shakespeare: uma reflexão sobre a noção de intraduzibilidade Poética”. Uma nota importante: a utilização do Pentâmetro Jâmbico para compor o verso decassílabo não é uma obsessão por parte do Shakespeare, existem versos onde não se encontra, com precisão, a marca do ritmo: fraco/forte/fraco/forte/fraco/forte/fraco/forte/fraco/forte.

*7 Para melhor conhecimento dos pés básicos e pés compostos utilizados nos poemas metrificados sugiro a leitura do brilhante artigo de Teoria Literária presente no seguinte link: http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/1459511 - autoria do Poeta Fiori Carlos, socorri-me ao querido poeta para colocar o esquema do Pentâmetro Jâmbico no texto.

*8 Sobre o assunto da dificuldade em se traduzir os Sonetos Ingleses de Shakespeare sugiro darem uma olhada, também, no brilhante texto de Josely Vianna Baptista, poeta, editora e tradutora de literatura hispano-americana, publicado na Revista Z Cultural no seguinte link: http://www.pacc.ufrj.br/z/ano5/2/vianna.php .

*9 Observa-se aqui, no Soneto Inglês ou Shakespeariano, diferentemente do Soneto Italiano ou Petrarquiano, que as rimas são num conjunto de 7 (pares), por motivo já mencionado: a dificuldade em encontrar rimas no idioma Inglês. Fica bem visível esta afirmação, comparando-o com a estruturação do Soneto Italiano ou Petrarquiano, onde nas 2 (duas) primeiras estrofes encontramos 2 (dois) tipos de rimas apenas: 4 do tipo A e 4 do tipo B - pela maior facilidade, nas Línguas Latinas, de se encontrar conjuntos de rimas.

*10 Verso DECASSÍLABO HERÓICO possui 10 (dez) sílabas poéticas, com acentuação obrigatória na 6ª e 10ª sílabas poéticas. (alguns poetas colocam também a sílaba tônica na 2ª sílaba poética); Verso DECASSÍLABO SÁFICO, também, possui 10 (dez) sílabas poéticas, porém, a acentuação tônica é obrigatória na 4ª, 8ª e 10ª sílabas poéticas.

*** Rommel, depois coloca no lugar certo, combinado?
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rommel

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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Ter 23 Nov 2010, 07:30



Olá, caro Tambelli.


Tambelli, pode me responder algumas dúvidas:


1- Inglês deve ser sempre em decassílabos? Eu vi, uma vez, um em alexandrinos...

2- Existe diferenças entre o soneto inglês de Shakespeare e o soneto dos outros escritores britânicos anteriores?

"Shakespeare (1564 -1616), na Inglaterra, , adotou a invenção de Thomas Wyatt (1503 - 1542), ou Henry Howard, Conde de Surrey (1517 - 1547), um dos dois: três quadras de rimas independentes e um dístico final, rimado. É o chamado “soneto inglês”, ou “shakespeariano”.

Fiquei na dúvida.



3- Apenas uma consideração de desabafo. Não sei porque tem tanta gente aqui em São Paulo dizendo em palestras e cursos que tudo já foi escrito e que precisamos inovar! Aff! Quer maior inovação que escrever um soneto inglês tão pouco escrito no Brasil?!



Julgo melhor recolocar este tópico na categoria sonetos pois lá terá mais visualização.
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Alexandre Tambelli



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MensagemAssunto: Resposta ao Rommel!   Ter 23 Nov 2010, 14:13

Rommel!

Respondo assim: Shakespeare escreveu dessa forma, utilizando o pentâmetro jâmbico. A estrutura do soneto 4/4/4/2 foi utilizada por outros poetas ingleses, também, como Spenser com mudança no esquema de rimas, Assim estruturada: abba/cbcb/dcdc/ee, esse poeta veio antes de Shakespeare mas seu esquema de rimas não prosperou.

A forma que ficou consagrada como soneto inglês é a de Shakespeare. Segui esta orientação para mostrar o fidedigno soneto inglês. Claro que alguns poetas ingleses podem ter escrito sonetos utilizando o verso alexandrino. É de escolhas que vive o bom poeta, certo?

Agora, se você viu traduções em verso alexandrino de Shakespeare uma justificativa é que o idioma Inglês é rico em vocábulos monossílabos e dissílabos. Num verso decassílabo cabem mais vocábulos em Inglês do que em Português. Imaginemos algumas palavras: City - cidade/ felicity - felicidade/ dog - cachorro, etc. Você percebeu que o número de sílabas para dizer uma palavra em inglês geralmente é menor do que no Português? E um verso decassílabo em Inglês cabe mais ideias do que um verso decassílabo em Português. Os poetas na hora da tradução preferem o verso alexandrino, este consegue captar melhor o significado em Inglês de um verso do que somente o decassílabo que restringe o número de ideias do verso.

Como disse no estudo: existe uma certa dificuldade em utilizar o pentâmetro jâmbico em Português, já no Inglês essa dificuldade diminui.

Abraço,

Poeta.
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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Ter 23 Nov 2010, 15:17

Não, foi inglês de poeta contemporâneo
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Alexandre Tambelli



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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Qua 24 Nov 2010, 05:06

Rommel!

Todo Poeta tem suas escolhas. O verso alexandrino é de origem francesa, certo? O que não significa que poetas de outros países não o utilizem e nem que poetas do nosso tempo, como nós aqui, não o pratiquemos.

Como sempre friso: crescer como poeta é conhecer os possíveis caminhos da literatura poética, arriscar o novo e valorizar o clássico. Só será bom poeta o que conhecer a fundo o seu ofício. O Médico pode não conhecer a fundo Medicina? Claro que não. Senão pode receitar um remédio errado, diagnosticar errado um paciente, cometer erros graves e não ser bem visto na sua profissão. O Poeta, idem! Imagina um Poeta conhecido e com livros publicados, que não sabe ensinar numa entrevista como se realiza um decassílabo, é possível?

É claro que não dá para saber tudo. Porém, o Poeta deve Amar a Poesia e se aprimorar nos seus conhecimentos, assim, como todo Médico faz!
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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Qua 24 Nov 2010, 05:48

hahahaha. Tambelli, vc tem que tomar cuidado ao falar isso, eu sou apedrejado moralmente só por saber escandir versos, tem muito poeta (sic) de quinta categoria que tem orgulho de não saber nada. A minha nova polêmica vc precisa conhecer. Tô sendo apedrejado na internet por defender Cruz e Souza.
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Alexandre Tambelli



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MensagemAssunto: Entrevista com Anibal Beça   Qua 24 Nov 2010, 09:28

Leia esta entrevista com um grande poeta brasileiro da Atualidade, Aníbal Beça e entenda a verdade das coisas Rommel. Este sim, um gênio e lúcido escritor. Merece todos os elogios possíveis! Lá tem um outro link: o velho soneto resiste, que vale muito ler!

Retirei da página do poeta no Jornal de Poesia, neste link:

http://www.revista.agulha.nom.br/r2souza14c.html

Aníbal Beça


Aníbal, poeta à beça


Entrevista a Rodrigo de Souza Leão


Aníbal Beça é amazonense de Manaus, onde nasceu a 13 de setembro de 1946. Filho de Alfredo Antônio de Magalhães Beça e de dona Clarice Corrêa Beça. Tem por avós paternos Aníbal Augusto Ferro de Madureira Beça e dona Mercedes de Magalhães Beça e maternos Luiz Maximino de Miranda Corrêa e dona Haydéa do Valle Corrêa (esta, sobrinha dos escritores Artur e Aluisio Azevedo). É poeta, compositor e jornalista. Desde muito cedo colabora em suplementos literários e em publicações similares nacionais e internacionais. Dividiu seus primeiros estudos entre colégios de Manaus (Aparecida, Dom Bosco e Brasileiro) e em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul (Colégio São Jacó).
Especialista em tecnologia educacional na área de Comunicação Social (UFRJ), foi diretor de produção da Televisão Educativa do Amazonas - TVE. Atualmente é consultor da Secretaria de Cultura do Amazonas. Casado com a psicanalista e professora da Universidade do Amazonas Eugenia Turenko Beça, tem três filhos: Anibal Augusto (artista plástico e economista), Ricardo Antonio (músico e médico) e Sacha Aleksei (estudante de economia). Envolvido com teatro, artes plásticas, é na música popular que a sua contribuição se faz mais efetiva como compositor, letrista e produtor de espetáculos e de
discos. Seu primeiro livro Convite Frugal, data de 1966 (este ano comemora 32 anos de atividade literária e 30 de produção musical). À propósito de sua poesia, o poeta Carlos Drummond de Andrade, teceu, em 31 de julho de 1987 - pouco antes de morrer - o comentário: "Li Filhos da Várzea, os poemas-pôster e os haicais afetuosamente a mim dedicados. Obrigado por tudo, meu caro poeta. É de coração aberto que lhe desejo a maior receptividade pública e compreensão para a bela poesia que está elaborando e que, espero, marcará seu nome como um dos que engrandeceram o cultivo artístico do verso."
Em 1994, com o livro Suíte para os Habitantes da noite, sagrou-se vencedor, dentre 7.038 livros de todo o país, do 6º Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira - categoria poesia. O livro, lançado sob o selo da editora Paz e Terra, saiu em 1995. Outros livros: Filhos da Várzea, ed. Madrugada, 1984, abrigando o livro Hora Nua; Marupiara -Antologia de Novos Poetas do Amazonas, (organizador) Ed. Governo do Estado do Amazonas, 1985; Quem foi ao vento, perdeu o assento (Teatro) Ed. SEMEC, 1986; Itinerário poético da Noite Desmedida à Mínima Fratura, Ed.Madrugada, 1987; Banda de Asa - poesia reunida - 1998 e Ter/na Colheita, 1998. É Membro da UBE e do Clube da Madrugada.


RODRIGO - Fale sobre a sua infância com os livros. O que teve de poético?
ANÍBAL BEÇA - Tive uma infância comum, de menino de classe média. Meu pai, principalmente, sempre estimulou os filhos direcionando-os para leitura. A descoberta, da magia e dos sonhos, chegou pelos personagens de Monteiro Lobato. Devorei toda a coleção e relia compulsivamente. Acabada a leitura, reinventava as histórias com minhas irmãs e o irmão em pequeninos sketches, que levávamos num pequeno teatro improvisado na garagem de nossa casa. A vizinhança sempre esperava pelos espetáculos, que se davm nos finais de semana. Cobrávamos até ingresso. Quem não tivesse grana, pagava com revistas em quadrinhos. Outra leitura que curtíamos mas que não era vista com bons olhos pela autoridade paterna. Líamos escondido dele. Dizia que as revistas em quadrinho disvirtuavam. Levavam para o fácil e afastava-nos da leitura, séria, dos livros. Claro que não adiantava nada as suas censuras. Não só líamos como colecionávamos, e a sessão infantil no cinema Guarany aos domingos era esperada com grande ansiedade. Não só pelos filmes, seriados de Charlie Chan, Fumanchu, Rock Lane, Roy Rogers, Nyoka a Rainha da Selva, Jim das Selvas, Zorro, Tarzan etc. mas pela oportunidade de trocarmos as revistas de quadrinho. Um outro tipo de leitura, esta, aceita pelo velho, era a coleção do Tarzan em livro e os contos das mil e uma noites, as aventuras de Jules Verne, também. A poesia, era coisa secundária. Líamos o que a professora passava como dever de casa. Antologias de poetas Parnasianos, em sua maioria, românticos, simbolistas. Modernistas, nem pensar. Dessa época, ainda me lembro de alguns poemas de Gonçalves Dias, Casemiro de Abreu, Fagundes Varela, Raimundo Corrêa, Olavo Bilac, os sonetos de Camões, o Jorge de Lima dos lampiões, Manuel Bandeira simbolista, e, para mim, muito especial, Castro Alves. Decorava poemas enormes, inclusive "Navio Negreiro", que declamei em uma festa da minha escola.

RODRIGO - O que a literatura e a poesia tem de lúdico?
ANÍBAL BEÇA -A oportunidade de você, leitor, recriá-la. Com o seu desenho pessoal, de sua imaginação, imaginar a geografia do relatado, a fisionomia dos personagens, a voz, o olhar. Sempre me decepcionava com as adaptações de romances para o cinema. A minha criação em torno dos personagens e da história, através da leitura, sempre eram muito melhores que as do filme. Com raras exceções. Uma delas: Os três mosquiteiros, em sua primeira versão falada. Outra: O Corcunda de Notre Dame com Charles Laughton. Além de você. também poder recriar outros textos, como eu fazia no nosso teatro. E isso sem pensar em me tornar em escritor. A coisa vinha naturalmente. E acho que é muito usual entre as crianças essas recriações. Lembro-me agora, que tinha também um deslumbramento pelos causos da poesia de cordel. Tínhamos uma empregada que gostava e comprava os livrinhos pendurados num varal no mercado. Gostava de ir com ela aos domingos fazer a feira porque tinha esse atrativo. comprar os livrinhos e, às vezes, ouvir os cantadores e seus desafios. As histórias do demônio contra Deus, os cangaceiros Lampião e padre Cícero, As tragédias e os assassinatos, os casos de cornice etc. Mais tarde, descobri lá pelos 11anos, que tinham também versinhos de sacanagem, cordéis pornográficos, que sempre aparecia a figura de Bocage. O Bocage da minha infância não tem nada a ver com o grande Bocage que depois descobri. Para nós, Bocage era o inventor da sacanagem. Ele e os catecismos de Carlos Zéfiro, com seus desenhos explícitos.

RODRIGO - Que autores influenciaram a sua formação, a sua juventude?
ANÍBAL BEÇA - Por incrível que pareça, os clássicos. Meu pai tinha quase toda "A comédia Humana", de Balzac; Emile Zola, Dostoievsky, Tolstoi, Eça de Queiroz, Machado de Asis, Proust, Camões, Dante Alighieri, Homero, tínhamos em verso e em prosa. A maioria dos livros editados em Portugal. Mas o despertar mesmo para a poesia e a literatura, aconteceu aos doze anos quando fui estudar em Porto Alegre. Mais precisamente em Novo Hamburgo, interno no colégio marista S. Jacó. Nos finais de semana vinha a Porto Alegre e aos sábados e domingos: cinema. Numa dessa idas ao Cine Cacique, começo de inverno, não levei agasalho porque realmente não estava frio. Minha avô havia recomendado que eu levasse pullover, cachecol etc. que iria esfriar e eu, menino do norte, não sabia o que era o Minuano. Não ouvi os conselhos. Saindo do cinema, o Minuano zunia, meus lábios e orelhas começaram a rachar. Um frio cachorro. Caminhando pela Rua da Praia, já não aguentando, entrei na Livraria Globo. Disfarçando, como se estivesse à procura de algum livro. Só que um velhinho, que estava por trás do balcão percebeu, e veio em minha direção: "O que o jovem deseja. Está procurando o quê para leitura. “Inventei” um livro qualquer, mas não fui muito convicente e acabei contando o porquê de ter entrado lá. Disse que era de Manaus, que não estava acostumado e nem conhecia o frio. Contei a história da avô. Muito simpático ele perguntou se eu gostava de poesia. Eu disse que sim. E ele: Então vou lhe dar um presente. Foi a estante e tirou um exemplar que me dedicou. O livro? "Canções"finamente ilustrado com bicos de pena por Tarsila do Amaral. O autor? Mario Quintana. O próprio. O velhinho que veio ao meu encontro e me dedicou o livro. Desde esse episódio, voltei outras vezes a me encontrar com ele sempre que ia ao cinema. Uma vez o vi rodeado de normalistas, fascinadas com os seus versos, com a sua declamação e o seu jeito terno e carinhoso e brincalhão.
Pensei comigo: eu quero é ser poeta. Ficar assim rodeado de tanta menina...

RODRIGO - Quando, com que idade, a poesia te fisgou?
ANÍBAL BEÇA - Eu acho que ela me fisgou nesse episódio com Mario Quintana. Depois da leitura de Canções comecei a me interessar por outros poetas e outros livros de Mario. Se bem que teve uma época que me distanciei um pouco. Por causa da música. Mas logo vieram as primeiras composições, que se não são poemas, as letras tem tudo a ver com a poesia. É uma outra gramática. Mas não se pode negar a presença do poético tanto na música quanto na letra.

RODRIGO - Como foi publicar o primeiro livro?
ANÍBAL BEÇA - Como todo jovem, apressado em ver os poemas impressos, tive a sorte de ser contemplado numa edição de uma coleção de novos da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas. O governador Arthur Reis, escritor e historiador, desenvolveu no seu governo, uma significativa política editorial. Estreei em 1966 com o livro "Convite Frugal". Os poemas, escritos na adolescência, a partir dos 14 anos. O livro, numa auto-crítica, muito incipiente. Mas não o renego. É um marco. E já tinha alguma centelha poética.

RODRIGO - Como definiria a sua poesia?
ANÍBAL BEÇA - Uma poesia feita com muito trabalho. Com elementos da tradição e da modernidade Os meus poetas preferidos são muitos. E do mundo, todos são. Dante Aliguieri, Shakeaspeare, Artaud Daniel, Mallarmé, Baudelaire, Rimbaud, Walt Whitman, William Carlos William, Wallace Stevens, T. S. Eliot, Rilke, Blake, Donne, Camões, Fernando Pessoa, Drummond, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Bandeira, Quintana, Carlos Nejar, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardozo, Carlos Pena Filho, Francisco Carvalho, Ariano Suassuna, Murilo Mendes e muitos mais.

RODRIGO -Você é da ala dos inspirados ou dos construtores?
ANÍBAL BEÇA - Dos construtores.

RODRIGO - Como é seu processo de elaboração do poema?
ANÍBAL BEÇA - Cada poema é um poema. Tem aqueles que nos procuram, que chegam derramados, que não dão muito trabalho para polir. Outros, a maioria, perseguimos no desafio da folha branca. Com temas pré-estabelecidos. Mesmo assim sempre se muda na hora. Às vezes me distancio do que escrevi. Quando volto a ler me sinto mais à vontade para os cortes ou acréscimos.

RODRIGO - O que pensa sobre a eterna polêmica concretos e não?
ANÍBAL BEÇA - Que polêmica? Se os pais do concretismo dizem que o abandonaram desde a década de 60. Acho que o concretismo trouxe alguma coisa para o desenho visual da poesia. Eu o pratiquei, e não me arrependo.

RODRIGO - Letra de música é poesia?
ANÍBAL BEÇA -Depende. Se for um poema que foi musicado, sim. Se foi colocado palavras na música, não. Porque vc. fica a mercê da ditadura da métrica musical. Mas tem letristas que são grandes poetas, com grandes achados. Orestes Barbosa com Chão de Estrelas, Humberto Teixeira, Paulo Cesar Pinheiro, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Aldir Blanc, Cae, Gil, Fernando Lobo, Edu, e muitos outros. O que não pode - e aí concordo com o Bruno Tolentino - é deixar de se estudar poetas em preferência de letristas. Ora, a musica popular já tem seu espaço: rádios, shows, cinema TV etc.

RODRIGO - Qual a importância da Teoria?
ANÍBAL BEÇA - O conhecimento da gramática poética é importante. Conhecê-la é pré-requisito para quem quer se tornar poeta. Por mais que vc. não vá se utilizar de métrica, rimas etc. Vc. tem que saber. Ser senhor do seu ofício. Que aspecto teórico é mais importante no poema? São três: melopéia, fanopéia e logopéia. Sou muito preocupado com o ritmo do poema, a sonoridade das palavras no contexto da idéia.

RODRIGO - O que a Internet tem de bom?
ANÍBAL BEÇA - A comunicação plural e a oportunidade de conhecer o que outros estão fazendo. Furar o bloqueio da divulgação jornalística, que nos expulsou, a nós poetas, como Platão da sua República, dos suplementos literários. Com raras exceções. As que conheço: Em Manaus: Amazonas Em Tempo, Ceará: Diário do Nordeste. Pernambuco: Diário de Pernambuco Na Bahia: A tarde. Os grandes, do eixo Rio-Sampa, só com jabá. Não sai uma resenha que não seja paga. Ou pela editora ou pelo autor. A não ser, que o escritor novo conheça alguém do suplemento. A época romântica dos rodapés acabou. Veja que belo trabalho o do poeta Soares Feitosa, pioneiro, com seu Jornal de Poesia. Todos os poetas brasileiros ficarão em dívida com ele. O que ele está fazendo, revigorando, distribuindo, fortalecendo a poesia. O Mar de Poesias, que já foi um filho dessa experiência, e outros sites, inclusive de haicais, como o caso da Caqui.

RODRIGO - Que caminhos a internet pode seguir?
ANÍBAL BEÇA - Múltiplos caminhos. Ninguém segura mais a internet.

RODRIGO - O livro está com os dias contados?
ANÍBAL BEÇA - Essa história já é bem antiga. No meu caso pessoal, que tenho um caso de amor com o objeto-livro, será bastante penoso se isso acontecer. Gosto de sentir as fibras, a textura do papel, o cheiro. É uma coisa beirando o fetiche. E o livro vc. leva pra onde quer, sem precisar de energia. A não ser a sua. Imagine o José Mindlin sem os livros.

RODRIGO - O que a poesia lhe deu de mais caro?
ANÍBAL BEÇA - Bom, a vida inteira eu venho fazendo poesia. Fiquei conhecido porque faço poesia, O mais caro mesmo foram as musas.

RODRIGO - Falar de sua aldeia é a melhor forma de ser universal?
ANÍBAL BEÇA - Claro. Veja o prêmio Nobel Derek Walcott, que reeditou uma nova odisséia a partir de sua pequenina ilha, com o seu "Omeros".

RODRIGO - O que há de amazonense na sua poesia?
ANÍBAL BEÇA - Muita coisa. Mas a presença mais evidente disso é no meu livro "Filhos da Várzea".

RODRIGO - Como vai a poesia do Amazonas?
ANÍBAL BEÇA - Vai muito bem. O Amazonas sempre teve tradição na poesia. E os novos vêm conseguindo manter essa hegemonia .

RODRIGO - Qual o papel do poeta na sociedade?
ANÍBAL BEÇA - Ajudar na sua humanização.
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rommel

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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Qua 24 Nov 2010, 11:10

É isso aí, Tambelli!

Escritores devem sempre estudar e conhecer novas formas, avaliar seus ritmos etc
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RONALDO RHUSSO

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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Qua 24 Nov 2010, 11:11

XIX



Alguém dirá, talvez: você bebia

o mundo como um todo, sem rodeios.

Mas é comum julgar, como eu diria:

“— Biel o teu talento flui de veios

os quais sorvem poeira de sobejo

porque não querem mais beber da fonte

da qual também me valho nesse ensejo

apenas por poder ouvir no monte

a voz da mãe dos bardos, mais que musa!

Mulher da qual se valem vates nobres

Buscando um texto forte em tez difusa

Pra não morrer na praia em versos pobres.



Decerto o mal dos homens tens também

Na tua pouca idade, mas convém".



Ronaldo Rhusso

(Homenagem ao Rübinger)
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rommel

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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   Qua 24 Nov 2010, 11:14

PUBLICA NO PR!!!!!! E TAMBÉM NO SITE DO PIAGUI NOS COMENTÁRIOS!


Adorei
hee
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MensagemAssunto: Re: Soneto Inglês ou Shakespeariano   

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Soneto Inglês ou Shakespeariano
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