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 Análise Literária

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Alexandre Tambelli



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MensagemAssunto: Análise Literária   Sex 19 Nov 2010, 08:02

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Última edição por Alexandre Tambelli em Sab 12 Mar 2011, 17:45, editado 6 vez(es)
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RONALDO RHUSSO

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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Sex 10 Dez 2010, 14:56

Não é meu forte analisar textos, mas vou entrar na séria brincadeira e dar os meus pitacos, amigo Tambelli.


A princípio, em minha opinião, o verso de número onze não é eneassílabo.
Temos uma elisão parecida tanto no verso dois como no verso dez, mas note que no verso onze o poeta fez questão de não usar o recurso do apóstrofo (d’água) tão comum entre os sonetistas. A mim pareceu que ele quis imprimir bastante força na expressão “língua de água”, de maneira que não fez a elisão como verificamos nos versos dois e dez.

Segundo ponto:

Costumamos chamar de martelo agalopado os versos decassílabos com tônicas
Na terceira, sexta e décima, mas nos versos “um”, “três”, “quatro” e “seis” notamos o fenômeno ao qual denominamos “pé quebrado”, o que enfraquece o ritmo dos versos mencionados.
Também eu costumo compor o martelo com essa displicência, mas em se tratando de uma análise honesta só considero “martelo agalopado”, de fato, quando se trata de “anapesto”.
A definição para o verso em Martelo agalopado é a seguinte:
Verso decassílabo composto por dois anapestos e um peônio de quarta, ou por dois anapestos e dois iambos. Neste caso, apresenta também tônica na posição 8.
Portanto...

Terceiro ponto:

A escansão do segundo verso fica melhor assim:

faz/ SU/a a/ TAR/de (a/QUI/ meu/ VER/so es/TAN/Ca


Por enquanto vou ficar só na parte da métrica, mas prometo retornar e comentar também o restante da estrutura, que, obviamente é o mais interessante.

Abração,

Ronaldo Rhusso
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Alexandre Tambelli



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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Dom 12 Dez 2010, 08:52

Ronaldo!

Como você tenho as minhas dificuldades em analisar os poemas.

Vou responder as suas observações.

Na 1 (primeira) observação você encontrou uma solução. O poeta não se valeu da elisão d'água, comum na poesia clássica. E assim, podemos contar o verso 11 do soneto como verso decassílabo:

-- lín/gua/ de/ á/gua/ do/ce e/ cris/tais/ fres/cos


Na 2 (segunda) observação temos a constatação de que o poeta não seguiu a risca a versificação clássica para fazer um martelo agalopado perfeito, sem pés quebrados.

Se o poeta seguisse a construção clássica perfeita do martelo agalopado teríamos esta precisa sequência de sílabas poéticas fracas e sílabas poéticas fortes no verso:

fraca fraca forte/ fraca fraca forte/ fraca fraca fraca forte
anapesto/ anapesto/ peônio de quarta ou

fraca fraca forte/ fraca fraca forte/ fraca forte/ fraca forte.
anapesto/ anapesto/ iambo/ iambo

Então aqui se mostra a maior liberdade do poeta moderno frente o poeta clássico, certo?


Na 3 (terceira) observação eu escandi o verso 2 assim e vou justificar minha opinião:

faz/ SUa/ a/ TAR/de (a/QUI/ meu/ VER/so es/TAN/ca (decassílabo - heroico e sáfico)

Numa primeira escansão fiz como você, escandi: /su/ a a/

Porém, ao escandir o verso 4 encontrei esta solução para torná-lo decassílabo:

fa/ze/ MI/nha a/ tua/ TAR/de e o/ GRAN/de es/PAN/to (decassílabo - martelo agalopado)

Neste caso para manter o decassílabo tive que manter /tua/ sem a separação habitual /tu/a/.

No 2 verso a separação su/a não fere a métrica, continuamos com um decassílabo. No verso 4 a separação tu/a cria um hendecassílabo:

fa/ze/ MI/nha a/ tu/a/ TAR/de e o/ GRAN/de es/PAN/to

Por este motivo escandi /sua/ e /tua/.


O que fica claro é que este Soneto do Rei Obscuro dá um trabalhão enorme para a gente entendê-lo. Continuemos.

Um abração,

Poeta querido,

Alexandre!
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RONALDO RHUSSO

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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Dom 12 Dez 2010, 13:20

Alexandre Tambelli escreveu:
Ronaldo!

Como você tenho as minhas dificuldades em analisar os poemas.

Vou responder as suas observações.

Na 1 (primeira) observação você encontrou uma solução. O poeta não se valeu da elisão d'água, comum na poesia clássica. E assim, podemos contar o verso 11 do soneto como verso decassílabo:

-- lín/gua/ de/ á/gua/ do/ce e/ cris/tais/ fres/cos


Na 2 (segunda) observação temos a constatação de que o poeta não seguiu a risca a versificação clássica para fazer um martelo agalopado perfeito, sem pés quebrados.

Se o poeta seguisse a construção clássica perfeita do martelo agalopado teríamos esta precisa sequência de sílabas poéticas fracas e sílabas poéticas fortes no verso:

fraca fraca forte/ fraca fraca forte/ fraca fraca fraca forte
anapesto/ anapesto/ peônio de quarta ou

fraca fraca forte/ fraca fraca forte/ fraca forte/ fraca forte.
anapesto/ anapesto/ iambo/ iambo

Então aqui se mostra a maior liberdade do poeta moderno frente o poeta clássico, certo?


Na 3 (terceira) observação eu escandi o verso 2 assim e vou justificar minha opinião:

faz/ SUa/ a/ TAR/de (a/QUI/ meu/ VER/so es/TAN/ca (decassílabo - heroico e sáfico)

Numa primeira escansão fiz como você, escandi: /su/ a a/

Porém, ao escandir o verso 4 encontrei esta solução para torná-lo decassílabo:

fa/ze/ MI/nha a/ tua/ TAR/de e o/ GRAN/de es/PAN/to (decassílabo - martelo agalopado)

Neste caso para manter o decassílabo tive que manter /tua/ sem a separação habitual /tu/a/.

No 2 verso a separação su/a não fere a métrica, continuamos com um decassílabo. No verso 4 a separação tu/a cria um hendecassílabo:

fa/ze/ MI/nha a/ tu/a/ TAR/de e o/ GRAN/de es/PAN/to

Por este motivo escandi /sua/ e /tua/.


O que fica claro é que este Soneto do Rei Obscuro dá um trabalhão enorme para a gente entendê-lo. Continuemos.

Um abração,

Poeta querido,

Alexandre!

É realmente uma ruptura com os padrões clássicos, contudo essa análise me chama à atenção para o detalhe importantíssimo que mostra a falta de preocupação em trabalhar cada estrofe como se cada uma delas fosse um parágrafo que ao final tornar-se-ia a obra completa.

Quantos sonetos construí dessa forma?
Quase todos!

É, Tambelli...

Preciso, como defensor do clássico, rever muitos dos meus conceitos em relação às minhas composições.

Em frente!

Ronaldo
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Alexandre Tambelli



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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Dom 12 Dez 2010, 13:43

Ronaldo!

Uma correção que merece ser dita. Eu errei quando disse todas as estrofes no Soneto Clássico formam uma estrutura completa.

Fui no Olavo Bilac, novamente, e percebi que a maioria das estrofes são entes com começo, meio e fim integrados na forma maior: o SONETO.

Olavo Bilac em certos momentos rompe com essa estrutura da estrofe, poeta! Principalmente nos tercetos!

Como no soneto: O Crepúsculo da Beleza

(...)

Flor de prata... Rugas... O desgosto
Enche-a de sombras, como a sufocá-la
Numa noite que ai vem... E no seu rosto

Uma lágrima trêmula resvala,

Trêmula, a cintilar, -- como, ao sol posto,
Uma primeira estrela em céu de opala...


Neste caso foi um recurso estilístico interessante para a rima, como no seu soneto mais conhecido: o desgosto/ E no seu rosto/ como, ao sol posto, (jamais aleatória a opção.)

Alexandre!
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RONALDO RHUSSO

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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Seg 13 Dez 2010, 23:13

É, Tambelli, esse recurso utilizado nos tercetos faz muito sentido a fim de se buscar o melhor gran finale...
Não é fácil escrever tercetos independentes num soneto, mas em todo caso, quando essa preguiça de pensar me deixar vou treinar um pouco a estrutura mais clássica no sentido de paragrafar cada estrofe, inclusive os tercetos...

Abração!

Ronaldo
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Fiore



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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Sex 11 Maio 2012, 18:04

Ronaldo...

Como não tem um tópico para o Limerick, entrei por aqui pra postar um e, caso o pessoal queira exercitar esta forma, a coordenação pode até abrir um espaço específico para o Limerick.

Então vamos lá:

Descarrego

Tem uns dias, minha amiga,
Em que a sorte nos castiga.
É de suar frio...
Ficam por um fio
As comportas da barriga.


Fiore
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RONALDO RHUSSO

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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Sab 12 Maio 2012, 12:14

Olá, Fiore!

Tem um Tópico dedicado ao Limerick aberto pelo Paulo Camelo!

Dá uma olhada, amigo!


http://descansodasletras.forumeiros.com/t67-o-que-e-limerick#630


Fiore escreveu:
Ronaldo...

Como não tem um tópico para o Limerick, entrei por aqui pra postar um e, caso o pessoal queira exercitar esta forma, a coordenação pode até abrir um espaço específico para o Limerick.

Então vamos lá:

Descarrego

Tem uns dias, minha amiga,
Em que a sorte nos castiga.
É de suar frio...
Ficam por um fio
As comportas da barriga.


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Fiore



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MensagemAssunto: Re: Análise Literária   Sab 12 Maio 2012, 13:28

Brigadão, Ronaldo.

Já está lá, o texto.
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