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 A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

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daisy aguinaga

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MensagemAssunto: Violência no Rio   Sex 26 Nov 2010, 12:03

Violência no Rio: a farsa e a geopolítica do crime


Retirado da coluna do leitor da Carta Capital

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/violencia-no-rio-a-farsa-e-a-geopolitica-do-crime


Coluna do Leitor 25 de novembro de 2010 às 20:52h

O leitor José Cláudio Souza Alves, sociólogo e pró-reitor de Extensão da UFRJ, contesta as avaliações que predominam sobre a onda de violência no Rio.

Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.

Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.

O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.

De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.

Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.

Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.

Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.

Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.

Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?

Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.

Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.

Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.

A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.

Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro?

Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.

Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.

* José Cláudio Souza Alves e sociólogo, Pró-reitor de Extensão da UFRRJ e autor do livro: Dos Barões ao Extermínio: Uma História da Violência na Baixada Fluminense.



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Joseph Shafan

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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Dom 28 Nov 2010, 05:21

Rio - Bagdad: relações promíscuas



As relações promíscuas entre 'arregos', traficantes e 'consumidores médios' culminou numa guerra aberta que antes era alimentada na mídia apenas pelas balas perdidas. Se até outro dia essa promiscuidade se mantinha pela divisão de territórios, a invasão do espaço de 'consumidores' pelos 'traficantes' fez reclamar uma ação da tropa paralela a do 'arrego'. O embate não seria novo não fosse a presença de suporte das FFAA em auxílio da combalida (in)Segurança Pública. A mídia, antes dessa 'movimentação', comprometida com os 'consumidores médios' (quantos dos componentes dos órgãos de (des)informação usariam 'maquiagem', com 'pó compacto'?) reservavam manchetes apenas para sensacionalismos quando um ou outro 'médio' era atingido. Nenhum desses 'órgãos' se propunha a debater seriamente a 'guerra surda', pois que se medidas contingentes de nível maior fossem levadas a cabo o risco de inflação dos preços de 'cosméticos' de uso geral entre esses blocos relacionados subiriam e a 'dificuldade' em se obter 'fumaça de bom gosto' das classes envolvidas poderia surgir efetivamente. Assim, sem nenhuma pressão, mantém-se desde muito tempo uma relação demográfica de forças capazes de segurança abaixo das mínimas especificadas por especialistas internacionais. A guerra aberta do agora, entretanto, poderá minguar quando o preço dos 'pós' e 'pacotes' subirem muito e essa mesma coligação entender que é o momento de 'baratear'.
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daisy aguinaga

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MensagemAssunto: Ligações perigosas   Dom 28 Nov 2010, 10:01

Causou-me imensa pena ver os pobres-diabos correndo em fuga, pareciam ratos... Eu não queria ver um embate entre as forças policiais e os pobres-diabos acuados e de fato não vi (ainda). Tenho acompanhado as reportagens com suas imagens ao vivo e em cores, tanto aéreas quanto das ruas onde estão concentradas as tropas.
Hastearam bandeiras sinalizando a ‘conquista do território’...
Eu pergunto; onde estão os pobres-diabos? Tiveram tempo para cavar túneis ou buracos para se esconderem? Estarão sendo protegidos por algum ‘interessado’? Ou serão destruídos como arquivos vivos?
“As relações promíscuas entre 'arregos', traficantes e 'consumidores médios' (Joseph Shafan) tornaram-se ‘relações perigosas’ para a população desprotegida.
Os pobres-diabos fugitivos são a trama mais frágil de uma rede formada pelos capitalistas da droga. Ficarão estes capitalistas impunes? Até quando?
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JUDAHBEN-HUR

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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Dom 28 Nov 2010, 10:16

Fico feliz de ver esses textos que são para lá de depois de elucidativos!
Eu não vejo TV desde o dia 5 desse mês.

Estou ouvindo apenas rumores....

Vou continuar acompanhando aqui, pois a isenção é garantida!

Ótimos textos!
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daisy aguinaga

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MensagemAssunto: A crise no Rio e o pastiche midiático   Seg 29 Nov 2010, 16:06

[justify]Luiz Eduardo Soares - Novembro 2010



Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as divergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética — supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu —, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil trabalhamos tanto — ou sob tanta pressão — quanto os jornalistas.
Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a mídia:

(1) Recebi muitos telefonemas, recados e mensagens. As chamadas são contínuas, a tal ponto que não me restou alternativa a desligar o celular. Ao todo, nesses dias, foram mais de cem pedidos de entrevistas ou declarações. Nem que eu contasse com uma equipe de secretários, teria como responder a todos e muito menos como atendê-los. Por isso, aproveito a oportunidade para desculpar-me. Creiam, não se trata de descortesia ou desapreço pelos repórteres, produtores ou entrevistadores que me procuraram.

(2) Além disso, não tenho informações de bastidor que mereçam divulgação. Por outro lado, não faria sentido jogar pelo ralo a credibilidade que construí ao longo da vida. E isso poderia acontecer se eu aceitasse aparecer na TV, no rádio ou nos jornais, glosando os discursos oficiais que estão sendo difundidos, declamando platitudes, reproduzindo o senso comum pleno de preconceitos ou divagando em torno de especulações. A situação é muito grave e não admite leviandades. Portanto, só faria sentido falar se fosse para contribuir de modo eficaz para o entendimento mais amplo e profundo da realidade que vivemos. Como fazê-lo em alguns parcos minutos, entrecortados por intervenções de locutores e debatedores? Como fazê-lo no contexto em que todo pensamento analítico é editado, truncado, espremido — em uma palavra, banido —, para que reinem, incontrastáveis, a exaltação passional das emergências, as imagens espetaculares, os dramas individuais e a retórica paradoxalmente triunfalista do discurso oficial?

(3) Por fim, não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises. Na crise, as perguntas recorrentes são: (a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a explosão de violência? (b) O que a polícia deveria fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas? (c) Por que o governo não chama o Exército? (d) A imagem internacional do Rio foi maculada? (e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?

Ao longo dos últimos 25 anos, pelo menos, me tornei “as aspas” que ajudaram a legitimar inúmeras reportagens. No tópico “especialistas”, lá estava eu, tentando, com alguns colegas, furar o bloqueio à afirmação de uma perspectiva um pouquinho menos trivial e imediatista. Muitas dessas reportagens, por sua excelente qualidade, prescindiriam de minhas aspas — nesses casos, reduzi-me a recurso ocioso, mera formalidade das regras jornalísticas. Outras, nem com todas as aspas do mundo se sustentariam. Pois bem, acho que já fui ou proporcionei aspas o suficiente. Esse código jornalístico, com as exceções de praxe, não funciona, quando o tema tratado é complexo, pouco conhecido e, por sua natureza, rebelde ao modelo de explicação corrente. Modelo que não nasceu na mídia, mas que orienta as visões aí predominantes. Particularmente, não gostaria de continuar a ser cúmplice involuntário de sua contínua reprodução.

Eis por que as perguntas mencionadas são expressivas do pobre modelo explicativo corrente e por que devem ser consideradas obstáculos ao conhecimento e réplicas de hábitos mentais refratários às mudanças inadiáveis. Respondo sem a elegância que a presença de um entrevistador exigiria. Serei, por assim dizer, curto e grosso, aproveitando-me do expediente discursivo aqui adotado, em que sou eu mesmo o formulador das questões a desconstruir. Eis as respostas, na sequência das perguntas, que repito para facilitar a leitura:

(a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a violência e resolver o desafio da insegurança?

Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Quando se está na crise, usam-se os instrumentos disponíveis e os procedimentos conhecidos para conter os sintomas e salvar o paciente. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI, tomado por uma enfermidade letal, apresentando um quadro agudo. Nessa hora, parte-se para medidas extremas, de desespero, mobilizando-se o canivete e o açougueiro, sem anestesia e assepsia. Nessa hora, o cardiologista abre o tórax do moribundo na maca, no corredor. Não há como construir um novo hospital, decente, eficiente, nem para formar especialistas, nem para prevenir epidemias, nem para adotar procedimentos que evitem o agravamento da patologia. Por isso, o primeiro passo para evitar que a situação se repita é trocar a pergunta. O foco capaz de ajudar a mudar a realidade é aquele apontado por outra pergunta: o que fazer para aperfeiçoar a segurança pública, no Rio e no Brasil, evitando a violência de todos os dias, assim como sua intensificação, expressa nas sucessivas crises?

Se o entrevistador imaginário interpelar o respondente, afirmando que a sociedade exige uma resposta imediata, precisa de uma ação emergencial e não aceita nenhuma abordagem que não produza efeitos práticos imediatos, a melhor resposta seria: caro amigo, sua atitude representa, exatamente, a postura que tem impedido avanços consistentes na segurança pública. Se a sociedade, a mídia e os governos continuarem se recusando a pensar e abordar o problema em profundidade e extensão, como um fenômeno multidimensional a requerer enfrentamento sistêmico, ou seja, se prosseguirmos nos recusando, enquanto Nação, a tratar do problema na perspectiva do médio e do longo prazos, nos condenaremos às crises, cada vez mais dramáticas, para as quais não há soluções mágicas.

A melhor resposta à emergência é começar a se movimentar na direção da reconstrução das condições geradoras da situação emergencial. Quanto ao imediato, não há espaço para nada senão o disponível, acessível, conhecido, que se aplica com maior ou menor destreza, reduzindo-se danos e prolongando-se a vida em risco.

A pergunta é obtusa e obscurantista, cúmplice da ignorância e da apatia.

(b) O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?

Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos “arregos” celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.

Ou seja, a polaridade referida na pergunta (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la — isto é, separar bandido e polícia; distinguir crime e polícia — teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes. E só por isso que ainda existe tráfico armado, assim como as milícias.

Não digo isso para ofender os policiais ou as instituições. Não generalizo. Pelo contrário, sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam, estoica e heroicamente, suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha, os humilha, os ameaça e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.

Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico. Incapaz, inclusive, de competir com as milícias, cuja competência está na disposição de não se prender, exclusivamente, a um único nicho de mercado, comercializando apenas drogas — mas as incluindo em sua carteira de negócios, quando conveniente. O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, antieconômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção. É excessivamente custoso impor-se sobre um território e uma população, sobretudo na medida que os jovens mais vulneráveis ao recrutamento comecem a vislumbrar e encontrar alternativas. Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica. Em outras palavras, é melhor, mais fácil e lucrativo praticar o negócio das drogas ilícitas como se fosse contrabando ou pirataria do que fazer a guerra. Convenhamos, também é muito menos danoso para a sociedade, por óbvio.

(c) O Exército deveria participar?

Fazendo o trabalho policial, não, pois não existe para isso, não é treinado para isso nem está equipado para isso. Mas deve, sim, participar. A começar cumprindo sua função de controlar os fluxos das armas no país. Isso resolveria o maior dos problemas: as armas ilegais passando, tranquilamente, de mão em mão, com as benções, a mediação e o estímulo da banda podre das polícias.

E não só o Exército. Também a Marinha, formando uma Guarda Costeira com foco no controle de armas transportadas como cargas clandestinas ou despejadas na baía e nos portos. Assim como a Aeronáutica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controlando o espaço aéreo e apoiando a PF na fiscalização das cargas nos aeroportos.

(d) A imagem internacional do Rio foi maculada?

(e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?

Sem dúvida. Somos ótimos em eventos. Nesses momentos, aparece dinheiro, surge o “espírito cooperativo”, ações racionais e planejadas impõem-se. Nosso calcanhar de Aquiles é a rotina. Copa e Olimpíadas serão um sucesso. O problema é o dia a dia.

Palavras finais

Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável. E não porque existem as UPPs, mas porque correspondem a um modelo insustentável, economicamente, assim como social e politicamente. As UPPs, vale dizer mais uma vez, são um ótimo programa, que reedita com mais apoio político e fôlego administrativo o programa “Mutirões pela Paz”, que implantei com uma equipe em 1999 e que acabou soterrado pela política com “p” minúsculo, quando fui exonerado, em 2000, ainda que tenha sido ressuscitado, graças à liderança e à competência raras do ten.cel. Carballo Blanco, com o título GPAE, como reação à derrocada que se seguiu à minha saída do governo. A despeito de suas virtudes, valorizadas pela presença de Ricardo Henriques na secretaria estadual de assistência social — um dos melhores gestores do país —, elas não terão futuro se as polícias não forem profundamente transformadas. Afinal, para tornarem-se política pública terão de incluir duas qualidades indispensáveis: escala e sustentatibilidade, ou seja, terão de ser assumidas, na esfera da segurança, pela PM. Contudo, entregar as UPPs à condução da PM seria condená-las à liquidação, dada a degradação institucional já referida.

O tráfico que ora perde poder e capacidade de reprodução só se impôs, no Rio, no modelo territorializado e sedentário em que se estabeleceu, porque sempre contou com a sociedade da polícia, vale reiterar. Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios — as bandas podres das polícias — prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção? Como se refundarão as instituições policiais para que os bons profissionais sejam, afinal, valorizados e qualificados? Como serão transformadas as polícias, para que deixem de ser reativas, ingovernáveis, ineficientes na prevenção e na investigação?

As polícias são instituições absolutamente fundamentais para o Estado democrático de direito. Cumpre-lhes garantir, na prática, os direitos e as liberdades estipulados na Constituição. Sobretudo, cumpre-lhes proteger a vida e a estabilidade das expectativas positivas relativamente à sociabilidade cooperativa e à vigência da legalidade e da justiça. A despeito de sua importância, essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea. O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável. Ineptas para identificar erros, as polícias condenam-se a repeti-los. Elas são rígidas onde teriam de ser plásticas, flexíveis e descentralizadas; e são frouxas e anárquicas, onde deveriam ser rigorosas. Cada uma delas, a PM e a Polícia Civil, são duas instituições: oficiais e não-oficiais; delegados e não-delegados.

E, nesse quadro, a PEC 300 é varrida do mapa no Congresso pelos governadores, que pagam aos policiais salários insuficientes, empurrando-os ao segundo emprego na segurança privada informal e ilegal.

Uma das fontes da degradação institucional das polícias é o que denomino “gato orçamentário”, esse casamento perverso entre o Estado e a ilegalidade: para evitar o colapso do orçamento público na área de segurança, as autoridades toleram o bico dos policiais em segurança privada. Ao fazê-lo, deixam de fiscalizar dinâmicas benignas (em termos, pois sempre há graves problemas daí decorrentes), nas quais policiais honestos apenas buscam sobreviver dignamente, apesar da ilegalidade de seu segundo emprego, mas também dinâmicas malignas: aquelas em que policiais corruptos provocam a insegurança para vender segurança; unem-se como pistoleiros a soldo em grupos de extermínio; e, no limite, organizam-se como máfias ou milícias, dominando pelo terror populações e territórios. Ou se resolve esse gargalo (pagando o suficiente e fiscalizando a segurança privada/banindo a informal e ilegal; ou legalizando e disciplinando, e fiscalizando o bico), ou não faz sentido buscar aprimorar as polícias.

O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro. Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível, ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas.

Ou se começa a falar sério e levar a sério a tragédia da insegurança pública no Brasil, ou será pelo menos mais digno furtar-se a fazer coro à farsa.

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Luiz Eduardo Soares é professor da Uerj e ex-secretário nacional de Segurança Pública. Escreveu, entre outros, Elite da Tropa.





Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1307
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Soaroir de Campos

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MensagemAssunto: A vida acontece enquanto fazemos outras coisas...   Seg 06 Dez 2010, 06:10

Sobre lagartas e borboletas

“Trocar, mudar, transformar, abandonar a zona de conforto, desapegar do passado, de velhas crenças, adotar novos paradigmas. Ufa! Essa parece ser a cartilha dos tempos atuais. Outro dia, uma amiga me enviou meu horóscopo* para este ano. Estava escrito, literalmente: “…ao longo de 2010 não sobrará pedra sobre pedra. A vida mudará tanto, mas tanto, que a pessoa terá a sensação de ter morrido simbolicamente e renascido de outra forma.” Medo!

Por que será que mudar, de modo geral, costuma nos apavorar? Mudar de casa, de emprego, de companhia, de cidade, mesmo quando é para melhor, ainda assim, nos assusta.

Ouvi recentemente uma metáfora sobre a mudança extremamente simples e que fez muito sentido para mim: a conhecida metamorfose da lagarta em borboleta. E aí, sob a ótica desse processo de transformação, resolvi refletir sobre a forma como me comporto e como se comportam as pessoas de meus diferentes círculos de relacionamentos. Ao final, pude observar alguns padrões que se repetem mais ou menos assim:

Tem gente que não consegue se ver borboleta e luta contra tudo e contra todos para viver eternamente no estado de lagarta.

Tem gente que até imagina o futuro como borboleta, mas, com tanto medo do desconhecido, não consegue abrir mão da vidinha de lagarta.

Tem gente que já é borboleta, mas sente, pensa e age como lagarta, encolhendo as asas e rastejando como se não pudesse voar.

Tem gente que, depois de virar borboleta, esquece de onde veio e se sente superior às lagartas.

Tem gente borboleteando pela primeira vez e se espanta de, às vezes, chorar de emoção ou gargalhar até não agüentar mais quando se depara com coisas tão simples quanto uma gota de orvalho numa folha pela manhã, duas pessoas se abraçando, brigadeiro de colher, um copo de água gelada num dia quente de verão, suco de laranja colhida na hora, bebê dormindo, bolo de aniversário, desenho de criança, homem aos prantos, olhar desamparado de mendigo, vovô empinando pipa com o netinho, cachorro correndo atrás do próprio rabo, papagaio falando palavrão, formiga carregando folha dez vezes maior do que ela, acordar sem despertador, por do sol no mar, raios e trovoadas sem chuva, arco-iris, nuvem que parece rosto de gente, menino puxando barba de Papai-Noel, casal dançando fora do ritmo da música, beijo selinho, beijo no rosto, beijo no pescoço, beijo de língua, beijo na mão, beijo nos dedinhos do pé gordinho do nenê que ri gostoso, como se ele soubesse claramente de sua essência borboleta. Eu acho que ele sabe…

Qualquer que seja o seu momento, você é, ao mesmo tempo, lagarta e borboleta. Você pode ou não ter consciência disso, o que não muda em nada o fato de que nossa natureza é a mudança. Basta observar a si mesmo e o seu entorno. Seus cabelos crescem, suas unhas crescem, sua pele envelhece, os alimentos e a água que você ingere se transformam dentro de você, seu corpo não para de se transformar um único segundo. Tudo a sua volta muda o tempo todo. Lutar contra isso não vai ajudar em nada. Pelo contrário, ir contra a correnteza é sempre uma tarefa dura, dolorosa e inglória – para não dizer burra! A água sempre segue o seu fluxo, contornando com facilidade os obstáculos que encontra pelo caminho ou perfurando-os paciente e insistentemente ao longo do tempo.

Portanto, da próxima vez que você se sentir ameaçado ou ameaçada por alguma mudança em sua vida e ficar com aquela vontade de rastejar rapidinho de volta para o seu casulo, pare, pense, conecte-se com o seu coração e seus sentimentos mais profundos e lembre-se do prazer que é voar na confiança no fluir e olhar o mundo sob outro ponto de vista, na companhia de um sem número de borboletas, sejam elas promessa, presença ou história.

* O horóscopo que consultei e me inspirou a escrever este post pode ser acessado pelo link bit.ly 8bSkjv. E as pessoas que me inspiram a voar estão por aí borboleteando.”


Fabio Betti Rodrigues Salgado
(Discutindo a Relação)
Autorizada republicação em
Quarta-feira 8 de Setembro 2010
Soaroir: Claro! Fique à vontade para reprisá-la. Mas me conta uma coisa: por que o rio é raso?
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Joseph Shafan

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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Qua 08 Dez 2010, 17:09

Quem nos salvará?

Era uma segunda-feira em New York. No final da tarde, como era normal, um grupo de fãs se aproximou de John Lennon, que contava 40 anos de idade, defronte ao Edifício Dakota (em frente ao Central Park) onde morava com sua mulher Yoko Ono e seu filho Sean. Nesse grupo estava Marc Chapman, de 25 anos, que pediu a Lennon autografasse um álbum de Double Fantasy, LP recém lançado por John (esse momento foi fotografado por Paul Goresh, fotógrafo amador). Goresh sempre aparecia por ali para fotografar Lennon e Yoko como podia e Chapman estava sempre se misturando aos fãs que rondavam a residência de John. O casal saiu antes das 20 h com a limusine deles e o grupo de fãs se dispersou. Chapman ficou por ali com alguns poucos. Por volta das 20h Goresh anunciou que iria voltar para sua casa em New Jersey (pois sabia que John e Yoko tinham ido novamente para o estúdio de gravação Record Plant e que provavelmente só retornariam depois da meia-noite. Chapman, ao ouvir Goresh pediu-lhe que ficasse e disse "Se eu fosse você esperaria...Nunca se sabe se você irá vê-lo novamente". Goresh não captou a dica e foi embora. Chapman ficou conversando com o porteiro do edifício, José Perdomo e mais dois fãs. Às 22:50h a limusine branca estacionou na calçada. Yoko Ono desceu primeiro e Lennon a seguia para adentrarem o prédio, passando por Chapman que gritou: "Mr. Lennon!". Enquanto John se virava para olhar atrás, Chapman sacara o revólver do bolso equlibrando-o com as duas mãos e em posição apontava para Lennon. John tentou fugir correndo enquanto Chapman disparava o 38 cinco vezes. Uma janela do edifício foi atingida por um tiro e os quatro tiros seguintes acertaram as costas de John. Três deles atravessaram o corpo e um deles destruiu a artéria aorta. John não caiu imediatamente, caminhando cerca de seis passos. A seguir parou dizendo "Fui baleado" e caiu de bruços. Embora houvesse uma entrada do metrô do outro lado da rua, Chapman não esboçou fugir. Ouviu Perdomo gritar repetidamente "Você sabe o que fez?" enquanto batia em sua mão fazendo a arma cair no chão que foi em seguida chutada fora pelo porteiro. Chapman tirou o chapéu e o casaco atirando-os na calçada, pegou um livro (O Apanhador no Campo de Centeio) folheando-o e quando a polícia chegou entregou-se. Quando foi colocado algemado dentro do carro de polícia, disse aos policiais: "Desculpe-me por estar dando a vocês todo esse problema". Lennon foi levado à emergência do Hospital Roosevelt sendo atendido pelo Dr. Stephan G. Lynn que tentou massagear o coração do paciente, porém "haviam tantos danos nos vasos sanguíneos principais que o sangue somente vazou", disse depois. Era o fim de uma batalha de 20 minutos para reanimar John, que foi declarado morto às 23:15 h daquele dia 08 de dezembro de 1980. O plano de Marc Chapman obtivera êxito e posteriormente diria que o motivo fora uma declaração, polêmica e de grande repercussão, de John Lennon dada em 04 de março de 1966 durante uma entrevista a Maureen Cleave para o London Evening Standard: "O Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. (...) Nós, Beatles, somos mais populares do que Jesus neste momento. Não sei qual vai desaparecer primeiro - o rock and roll ou o Cristianismo. Cristo não era mau, mas os seus discípulos são obtusos e vulgares. É a distorção deles que estraga o Cristianismo para mim". Quando publicada nos EUA a entrevista causara dentre as reações a queima de vários álbuns dos Beatles em praça pública e o banimento das canções do conjunto em várias estações de rádio. Sabe-se historicamente que os americanos no geral se considera o 'povo eleito' desde os 'peregrinos' que fundaram aquela nação. A frase repetida secularmente por eles é "Jesus nos salva". Resta então saber, quem nos salvará deles?



Lennon autografando o álbum Double Fantasy para seu futuro assassino (Marc Chapman) algumas horas antes de ser assassinado.
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MensagemAssunto: PRESENTES DE NATAL OU NÃO...   Qua 15 Dez 2010, 22:35

Nesses últimos meses tive muito no que pensar e quis dar de presente para algumas pessoas o que ainda restava de forças em mim. O estranho é que fui bem sucedido e ao final das contas nem morri¹! As dores também não foram embora e o que as pessoas fizeram com o melhor de mim? Algumas nem desembrulharam, pois não souberam desatar os nós; outras desembrulharam com tanta força que não conseguiram captar a fragrância; outras olharam para o presente e não souberam como usa-lo; outras sorriram, agradeceram, mas disseram que não eram fortes o suficiente; outras disseram que o problema era a falta de fé; outras eram egoístas demais para se contentarem em compartilhar o mesmo presente; outras simplesmente o recusaram e outras me abraçaram... Mas eu quis me presentear também. Aliás, ainda quero me presentear! Respeito por mim tenho de sobra porque sou "crente" (como as pessoas costumam rotular quem crê na Eternidade conforme está escrito lá no Livro Sagrado) e tenho planos grandiosos para mim. Planos esses que não envolvem algo aqui na Terra (ao menos não nessa Terra), pois faz tempo que se não for para me doar nem tenho ânimo para sair de casa. É. Não gosto do mundo, do que dizem que a TV mostra, do conteúdo de alguns livros, de minha atitude em relação a algumas coisas, mas quero me dar um presente que envolve ainda mais respeito e mais cuidado com quem realmente conta. Deve ser isso! Quero de presente a sensação de que estou à altura de meus verdadeiros amigos...

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¹Estava pára sofrer uma intervenção cirúrgica e dei uma acelerada na vida... Bom... Era grave, mas acelerei á toa.
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MensagemAssunto: Choques e aprendizados   Sab 08 Jan 2011, 17:57

Seria melhor que não necessitasse-mos desses tais choques! Um gato que senta num local quente nunca mais senta no mesmo lugar ainda que esteja frio. Outro dia estive com maus pressentimentos. Em mim, isso por si só já pode ser considerado um choque. Mas o que eu aprendi? Que sou obstinado e que “morro, mas não perco a vida” já que vida para mim é ousar e ir adiante sem prejudicar os outros, obviamente... Às vezes colocamos coisas no papel, fazemos cálculos, planos... Quando tudo parece sem erros, cismamos em ir em frente: viver! Sou assim. Meu retrato pintado fidedignamente por mim mesmo! O problema é que nunca podemos contar com causas externas a nosso controle. O vento, por exemplo, tem vontade própria! Quem pode domá-lo? Falo em relação à humanidade. Pois é. Quando tudo parecia definido, quando tudo parecia só alegria, ele, o vento, mudou bruscamente. Não antes de fazer uma pausa como se estivesse a decidir para que lado iria soprar novamente. Há seiscentos pés do chão, dependendo de um velame ou um pára-quedas que deve abrir no máximo aos quatrocentos e cinqüenta, isso é prenuncio de tragédia! Em segundos ocorreu o choque! O pára-quedas não parou nada e o chão recebe a gente, não antes de podar alguns galhos de árvore com o corpo. Dor? Ora! Essa não chega aos pés do medo que é infinitamente maior! Depois é só dificuldade de respirar e perceber que tem muita coisa quebrada. Mas e o aprendizado? Bom... Por agora estou na base das injeções e de outros meios de recuperação. Aprendi que cada agulhada dói mais que a outra. Que tratamento custa muito caro. Que hospital fede! Aprendi que em algum tempo poderei fazer vôo duplo, pois nunca mais poderei fazer sozinho. Então agora é só esperar. Ah! Preciso aprender a esperar. Isso cansa!


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11/08/2008.
13:20h
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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Qui 20 Jan 2011, 10:02

Dos Portais

Eu quero que se dane a vida pessoal de qualquer artista (seja de cinema, literatura, futebol etc)! O que me interessa do(a) artista é sua arte e, portanto, toda essa basbaquice em torno da vida pessoal desse ou daquela é somente enchimento pra meu saco. Se o(a) artista tal bebe ou deixa de beber, come ou deixa de comer, deita ou deixa de deitar, além de desimportante é inoportuno. Entretanto a maior parte da cobertura de imprensa para esse ou aquela artista se baseia na vida pessoal (o que é um chute no saco). Ao invés de procurar saber o que fez esse ou aquela artista engendrar a sua arte, de buscar informar quais os planos em gestação para essa ou aquela arte, a cambada segue perturbando as informações relevantes com "chamadas imbecis" para esse ou aquele aspecto pessoal desse ou daquela artista. Mas, contrariando o profeta Tiririca, além dessas bobagens imensas sendo discorridas pela mídia de hora em hora os portais agora dão destaque às novelas como se fossem notícias, piorando o que aí está. Surgem então 'leds' do tipo "Alexandre é descoberto ainda vivo", "Mariadna é presa em flagrante" ou "Cátia rompe noivado e foge". É o inferno cada dia mais presente na vida do cidadão!
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MensagemAssunto: Desarmamento   Ter 12 Abr 2011, 13:20

A sociedade por esse mundo afora precisa defender outro tipo de desarmamento: o desarmamento do espírito. Basta observar as letras de músicas de sucesso, cantaroladas por pais, mães, crianças, adolescentes, jovens, velhos. Olhe para os programas de maior sucesso diário, seus diálogos, seus valores, seus incentivos. Perceba os seriados que têm maior audiência, recheados de crimes, de maneiras de matar, de violentar, de enganar, de trucidar. Cadê o espaço para o amor, para a confiança, para o desarmamento dos espíritos?
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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Dom 17 Abr 2011, 12:26

ESPORTES INTERESSANTES

Estive a olhar um grupo que praticava pesca "esportiva".
Eles são tão gentis!
Colocam uma isca artificial na ponta da linha ou anzol e ficam esperando...

Lá embaixo, no fundo do mar, os peixes grandes e pequenos estão fazendo os seus passeios habituais.
Procuram por comida, que está ficando cada vez mais escassa no mundo dos peixes.
Como não conseguem entender a diferença, veem aquelas iscas reluzentes!
Imagino que um deles pense (será que peixe não pensa, mesmo?):
"- Graças a Deus (ou a Netuno, sei lá!)! vou poder me alimentar"!

Mas os pescadores que estão alí só para "praticar o esporte", fisgam o coitado que só estava com fome; mais nada!
O pobre coitado do peixe não entende o que está acontecendo, pois o que deveria ser seu almoço está lhe rasgando a boca.
A dor (Sim! peixe sente dor!) é terrível!
Ele luta, mas, coitado, acaba ficando sem forças e se entrega.
Aquela dor terrível na boca! O corpo todo dolorido!
Seu sangue se esvaindo...
Colocaram um alicate na boca do bicho para tira-lo da água, pesa-lo...
Já nas mãos do "esportista", ele é fotografado, passado, muitas vezes, de mão em mão... Agora seu corpo parece queimar!
Mas é só por esporte.

Com o mesmo alicate o colocam na água. E o soltam.
Quanto tempo o pobre irá demorar pra tentar se alimentar de novo?

E se ele ficar com depressão e nunca mais querer se alimentar e morrer de fome?

Acabei de lembrar de um anúncio que estava na parte superior da marquise de uma peixaria na Alemanha: "FAÇA UMA VACA SORRIR! COMA MAIS PEIXE."

E a pesca esportiva continua. Tem até mais de um programa na televisão.
Quem é o bicho, mesmo?

Publicado em: 27/05/2007 05:33:44

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MensagemAssunto: Boa Semana a todos (apesar dos programas de TV do domingo)   Dom 01 Maio 2011, 21:31

Boa Semana a todos (apesar dos programas de TV do domingo)

Um exemplo: é abominável o desejo de "Boa Semana" que propõe o programa Domingo Espetacular da Rede Record. Selecionadas para finalizar o programa estão as reportagens mais sangrentas, mais revoltantes, mais asquerosas. Assim se fecha a semana e assim se abrem as perspectivas de uma nova semana. É de dar ânsia de vômitos... deve haver quem goste...
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MensagemAssunto: Alunos marginais   Qua 18 Jan 2012, 07:52

DOMINGO, 17 DE JULHO DE 2011


Querido(a) professor(a) e mestre(a)...

Hoje recebi mais um daqueles e-mails indignados com a condição dos professores de escola pública!

O autor do e-mail deve ter sido ovacionado por aqueles que escolheram essa profissão acreditando, talvez, que algo mudaria e eles viriam ganhar algum dinheiro, além de que constatariam o fato mais surpreendente na história da humanidade contemporânea, ou seja, o fim dos “alunos” marginais e o interesse dos governos no aprendizado por parte da população que os elegerá no futuro!

Falemos do ganhar dinheiro:

Eu sei que só tenho 42 anos de idade e por isso, provavelmente, eu desconheça a existência de algum professor que tenha ficado rico a partir do seu salário;

Na Antiguidade os professores eram bastante valorizados! Tanto que eram escravos cultos, comprados por alto preço para esse fim, ou servos obstinados a transmitirem seu conhecimento a futuros reis ou governantes...

Você que está lendo já ouviu ou leu algo acerca de algum professor que tenha ficado rico à custa do salário? Eu sei que não.

Concluímos que essa não é uma profissão para quem deseja enriquecer e eu estou mencionando o verbo transitivo enriquecer pelo fato de que o autor do e-mail que gerou esse texto o tenha usado de forma irônica, mas eu o faço de forma racional.
“Alunos” marginais já transitavam nas salas de aula há séculos, mas era minoria e eram tratados como casos relacionados com a segurança pública.

No Brasil temos o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – que protege esses bandidos; foi criado em 1990 e não por acaso foi o divisor de águas no sentido de legalizar o banditismo infanto juvenil.

Meu primeiro emprego foi aos nove anos de idade (quase dez). Eu me sentia super importante como auxiliar de pintor mecânico! A minha mãe, a dona Dete, me olhava toda orgulhosa quando eu chegava em casa com a roupa encardida, cansado, mas cheio de novidades para contar: “- Caraca, mãe! Hoje eu ganhei um dinheiro extra trocando o parachoques de um carro de um ricaço! Ele me deu quase o valor do meu salário da semana! Olha só!”

Eu nem precisava trabalhar, mas a minha família entendia que para que uma criança respeitasse um profissional ela deveria aprender uma profissão logo cedo, ainda que não fosse exercê-la no futuro, mas só respeita trabalhador quem é trabalhador e eu tinha e ainda tenho um respeito enorme por todos os profissionais que se dispuseram a dividir comigo a maior riqueza que eles tinham, ou seja, seu conhecimento!

O ECA decretou a vagabundagem juvenil!

Misturou trabalho escravo com trabalho digno e necessário para a formação e valorização da pessoa!

Eu jamais entraria numa sala de aulas para arriscar a minha vida e na melhor das hipóteses, a minha saúde, pois os consultórios psiquiátricos estão abarrotados de professores e não é por causa do salário, mas por causa do inferno que é uma sala de aulas!

Quando vou a uma escola pública, na condição de palestrante, não saio sem comparar aquele recinto com um manicômio!

Em relação aos governantes do planeta desejarem que seus eleitores do futuro sejam incapazes de entender o que é caráter, honestidade e ética, além de patriotismo, bem como a importância dessas qualidades em um ser pensante, tem motivação óbvia e desnecessário se faz tecer qualquer comentário a respeito...

Onde está a Disciplina Educação Moral e Cívica?

Ah! Era coisa dos militares... Não precisamos mais disso em nossas escolas democráticas.

Ser professor está muito acima de ser um profissional! É missão! Sou Missionário proselitista e estou em extinção da mesma forma que estão em extinção verdadeiros professores!

Hoje o nome que se dá é “Educador”!

O que é um educador? Minha mãe era a minha educadora e ainda hoje a consulto quando preciso tomar alguma decisão difícil!

Então se a pessoa é educadora e não é pai ou mãe do educando é babá!
Qual o piso salarial de uma babá? R$ 600,00 (seiscentos reais)?
Ora! Uma babá geralmente é contratada para cuidar de uma criança ou quando muito de duas ou três.

É uma profissional exclusiva! Quanto ganha um professor exclusivo?
Já dei aulas particulares e cobrava muito caro para isso!

Tente imaginar uma babá para quarenta adolescentes ou crianças!

Ser professor é acima de tudo ser um bravo e eu, embora tenha muito conhecimento para tanto, me considero incapaz de exercer essa missão numa sala de aulas, a não ser com uma escolta policial que não seja corrupta. Onde eu acharia uma escola que fornecesse escolta policial?

E ainda por cima não poderia ser corrupta...

Sei.

Minha solidariedade e homenagem a esses bravos de giz e apagador nas mãos!

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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Sab 28 Jul 2012, 13:26

Reconheço...

Dizem que eu sou um sujeito insuportável, mas não posso me eximir de culpa em relação a isso, visto que nem eu me suporto na maioria do tempo em que convivo comigo mesmo!
Então eu vou fazendo os meus trabalhos com a mente dividida. Parte tenta se concentrar nas tarefas, enquanto a outra parte fica observando tudo ao meu redor.
Ontem percebi uma menininha me olhando, inquieta...
Deveria ter no máximo oito anos, mas me olhava com uma expressão séria e parecia me analisar enquanto eu explicava a seus pais que o cigarro, embora, de acordo com especialistas, possua muitas substâncias cancerígenas, não é capaz de provocar qualquer espécie de câncer sem a ajuda de um “gatilho” ou mesmo um fator secundário, especialmente de ordem emocional ou alimentar, pois o organismo humano, mesmo tendo sido tão degradado no decorrer dos milênios, tem uma capacidade soberana de não permitir que essas substâncias contidas no cigarro, sozinhas, provoquem danos tão graves ou maiores que enfisemas pulmonares, que diferentes dos carcinomas, podem, sim, acabar com a história de muitos fumantes e são, de fato, inimigos reais e perigosíssimos a serem temidos.
- Então por que nos maços de cigarro está escrito que eles podem provocar câncer? Perguntou a mãe da menininha em tom de desafio.
Pensei comigo que se ela tinha essa certeza por que ainda fumava tanto? Mas respondi-lhe sob o olhar perscrutativo da menininha:
- O problema é que além de fumar as pessoas enchem o organismo de acidez, seja através de coisas que ingerem e que têm um PH muito alto, seja através da perda de tempo em frente a telas de TV, de onde recebem grande quantidade de sons e imagens que chegam aos lóbulos frontais como um tiro de adrenalina, ou, ainda pela ansiedade, estresse ou outros fatores emocionais como mágoa, ira, impaciência e etc. que impedem que elas produzam, em maior quantidade, bons e indispensáveis hormônios para o sistema imunológico tais como a Endorfina e a Serotonina. Essas coisas deixam o organismo frágil e as substâncias contidas no cigarro encontram terreno fértil para causar danos. Por isso, de vez em quando, encontro pessoas com mais de noventa anos que fumam há várias décadas e não têm mais que sintomas de enfisemas ou outros danos em seus pulmões cansados. São pessoas felizes, apesar do mau hábito!
Após alguns minutos a mais de conversa me despedi, não sem antes fazer uma prece com a família e deixar dois vidrinhos de um enxaguante bucal natural, cuja ação ajuda a inibir o ato de fumar.
A menininha saiu da casa antes de mim e quando eu cruzava a varanda fez sinal para que eu parasse e me perguntou:
- Se eu fumar vou ficar assim como os meus pais?
Sem entender o que seria o “assim” eu, mecanicamente, anuí afirmativamente com a cabeça.
Ela perguntou, outra vez:
- O senhor não fuma, não é?
Respondi:
- Oh! Não. Eu nunca fumei.
Ela acenou um “tchau”, voltou-se e dirigiu-se em direção à porta de entrada, esfregou rapidamente as mãos, encolhendo-se, comentou que estava muito frio e, enquanto entrava disse:
- Por isso o senhor é assim esquisito e não ri... Eu não vou fumar porque o cheiro é muito ruim, mas não quero que meus pais sejam assim como o senhor.
Entrei pensativo no carro e não pude deixar de concordar que ando mesmo de semblante mais fechado que o normal...
Pensei nos idosos fumantes e felizes...
Ando mesmo infeliz.


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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Sab 19 Out 2013, 07:59





Qual mal é menos nocivo? Esse é o Raio-X do planeta, portanto, retrato do âmago do Brasil...

Muita gente nem sabe o que é Capitalismo, o que é Populismo...

A maioria da população, se entender o que é Populismo vai até acender vela para quem tem mantido esse sistema escravizante do “não penso, mas como, tomo umas cachaças e ainda danço tchê-tchêrêrê-tchêtchê”, então tá beleza (ou blz)!

Já os que iriam preferir um governo mais voltado para o Capitalismo são os que têm saudade dos aviões sem pobres e seus ruidosos aparelhos celulares, restaurantes sem a galera do pagode depois do bucho cheio e do sangue etilizado...

Aqui em Trindade, na época do FHC, fora os bichos-grilos, com seus dreds rastafarianos, a gente só atendia a nata da empáfia; hoje a plebe rude se beneficia dos sites de ofertas em cascatas e os remanescentes do Capitalismo nos culpa porque têm de dividir o espaço dos cafés das manhãs com os “indignos”... Bando de babacas! Nem sabem que a gente prefere os sorrisos desse povo que ascendeu ao patamar que nem sabiam que existiam, mas a natureza, essa não agradece.

Fazer o que?

O Populismo não ensina a preservar. O capitalismo prefere concretar. “Árvore pra que? Essas porcarias de folhas ficam caindo, servindo de abrigo para insetos”...

O Populismo vai fazer com que a meia dúzia desinformada não entenda bulhufas do que estou perdendo tempo em escrever, enquanto crio coragem de partir pro Projeto 2016 que já está atrasado (nada a ver com Olimpíadas, outra piada Populista num arremedo do Capitalismo que vai esculachar a Metrópole na qual nasci)...

Enfim, o Populismo deve governar esse país por mais uma década, no mínimo, se não falir antes...

O Capitalismo teve sua chance e “deu ruim” (aprendi a usar esse besteirol!!!).
Esses tucanos venderam bonito! A Vale do Rio Doce, que tinha 40 bilhões de reservas, mas que acabaram descobrindo mais veios, foi entregue por trezentos milhões de nada porque ninguém sabe pra onde foram esses dólares... As operadoras de telefonia nem roubam mais. A gente entrega até as calças para elas! Graças ao FHC! Até frango a gente (eles porque se tá morto e tinha sistema nervoso tou fora!!!) pôde comer, mas não à vontade...

O Capitalismo vende sua roupa íntima com você dentro dela!

O Populismo deixa a sua roupa íntima e ainda lhe dá a oportunidade de você sujá-la... Mas tem que votar no que rouba, mas faz!

Se lascar ou se ferrar? Eis a questão!

Às vezes vejo essas fotos de africanos cheios de pereba, barriga inchada de tanto comer barro e uma tarja com a inscrição culpando o Capitalismo...

Então o populista chora e compartilha, mas cadê que sabe que milhões de toneladas de comida e roupa vão para esses países, mas não chegam a quem precisa porque os mestres da eugenia não permitem e, pasmem, os conterrâneos desses coitados são os que enterram esses alimentos, roupas e remédios, cuidando que estão fazendo um bem para o mundo...

Capitalismo e Populismo são faces da mesma moeda!

Não se enganem achando que o Lula mandou no Brasil, que o lulinha é rico porque roubou, que a Dilma é sapatão (não, sapatão ela é sim, foi mal!)...

Não pensem que nossos governantes são petistas ou outros istas... São só marionetes do sistema e lhes afianço que sabem o que estão fazendo ao distribuir o PIB do país com a plebe que aprendeu a digitar no teclado da Urna que faz o barulhinho engraçado! Eles sabem o que estão fazendo!

O Lema “país rico é país sem pobreza” não é redundância, não! É o código! Quem realmente se interessa enxerga assim: nós pertencemos a vocês e estamos comendo os hormônios que nos engordam, entopem as filas dos hospitais, que não têm medicamentos nem instrumentos porque nós que lá trabalhamos roubamos e levamos para nossos filhos brincar; nós estamos afundando o beiço no crack e a cachaça é garantida; nós comemos as árvores que dão lugar a centros de confinamento de gado cheio de veneno; bebemos o leite misturado ao câncer das tetas em carne viva das vacas que já não se aguentam em pé e nossos políticos roubam bem! Votamos em palhaços; nosso sistema judiciário é uma farsa e já sabemos que o diabo não tem chifres porque tem vergonha de ser corno, mas nosso povo acha linda a promiscuidade!

Quem liga se coca cola é veneno? Tem reverendo brincando com a desgraça alheia!

Quem liga se minha igreja não paga imposto; se os “nossos” hospitais só atendem ricos; se nossa lindas e poderosas escolas foram transformadas em casas de recuperação de delinquentes, cujos pais nos odeiam, mas despejam sua prole lá e nossos adolescentes aprendem com eles que D’us não existe e que céu é lugar onde você chega fácil com uns goles de cachaça e uma tragadas de maconha barata?

Quem liga se o Cristianismo virou piada e tem profundo amor pelo Capitalismo selvagem?

Quem leu isso até aqui?

Sério?

Então toma um poeminha de agrado:

Era uma vez um planetinha
que tinha a cor azulada.
Era uma vez um sisteminha
que mostrou ser uma furada.
Era uma vez a Poesia,
mas todos são grandes poetas agora...
Era uma vez a família, a alegria...
Mas o medo, angústia se escondem
em quem tem medo de ir lá fora...
Era uma vez professores, doutores, das Dores...
Era uma vez a realidade...

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MensagemAssunto: Re: A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA   Dom 15 Mar 2015, 13:59

Uma fábula do tempo...

A Casa da Dona Catita é casa onde a dança não falta e tem duas cores no ar! E tudo é questão de ambiente: no claro o engodo é sensível, provoca o sentir compaixão, qual fosse de bons ancestrais: os índios e negros servis...
No escuro, oh! Na sombra o calor parece que vem do vulcão e esquenta os miolos, pois tem alguns requisitos que faz o incauto sorver o fedor e achar que não deve sair, pois sombra é má quando quer e ampara o receio na cor branca que é só onde estão os chefes desse bando!
Não pense que essa casa é só alumbramento ou mesmo um bom delírio! É casa que se põe como o birô central do dono desse mundo ou das mentes que dormem...
Catita tá nos nomes, nos sons e nos sentidos que sabem dividir o ser humano em muitos frangalhos encapados de pele dominada...
É bom? Pra uns. Praqueles que dominam cada mulo e querem dividir a sua culpa quando o ponteiro da existência atingir a meia noite e os cansados e cansáveis terão que apresentar os seus crachás que foram preenchidos com atos e omissões, palavras, pensamentos, pois a sabedoria que não vem lá da Fonte onde o relojoeiro faz questão de doar a quem merece ou não, mas sabe do relógio tem preço: sangue limpo!
Importa se os tambores não param de tocar? Importa se os leitores não sabem decifrar sinais que lhes impregnam o ínfimo suspiro? ...
Escolhas vêm da Fonte e a semeadura ensina uma lição: arroz plantou, não colhe alface nem feijão...
Catita é rata e é praga! Não é um ser daqui! É Allien se quiser pensar assim, não ligo.
Catita é coisa que, pior que um veneno ou carcinoma agudo, estraga esse Universo...
Vaza de Catita enquanto é tempo! Enquanto o ponteiro se desloca em paz e no controle, pois o relojoeiro é, sim, atemporal e faz seu próprio tempo...

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